12 de julho de 2010

Fórmula-3000 1993

A Fórmula-3000 passou por turbulências entre o final de 1992 e o início de 1993. Muitos afirmavam que a categoria havia se tornado tao cara e elitista que não se sabia se o grid teria um número suficiente de carros. Pra piorar, a Lola iria abandonar o barco, devido ao fraco desempenho em 1992.

Porém, o campeonato acabou saindo e nada menos que 30 carros alinharam para disputa a etapa de Donington Park, no dia 3 de Maio. Essa prova foi vencida pelo monegasco Olivier Beretta da Forti Corse, mas este acabou sendo apenas coadjuvante durante o resto do campeonato. As 2 estrelas principais: Pedro Lamy (Crypton) e Olivier Panis (DAMS) chegaram respectivamente em segundo e terceiro.

A prova seguinte também foi disputada no Reino Unido, mas no circuito de Silverstone. O brasileiro Gil de Ferran venceu, seguido por David Coulthard e Michael Bartels. A corrida foi um prenúncio do que aconteceria no restante do campeonato: De Ferran bateria seu companheiro de equipe, Paul Stewart, que era ninguém menos que o dono da equipe!

O circuito de Pau, na Fraça, receberia a 3ª etapa. Pedro Lamy venceu e assumiu a lideraça do campeonato, com 15 pontos. Beretta foi o 4º colocado e chegou a 12 pontos, empatado com Coulthard (2º na corrida). Paul Stewart completou o pódio.

A 4ª prova só aconteceria mais de um mês e meio depois, no dia 17 de Julho, em Pergusa-Enna (Itália). David Coulthard venceu e passou a ser o novo líder do campeonato. E o que é melhor nenhum de seus rivais pontuou. Lamy era o primeiro até 2 voltas do final, mas saiu da pista e permitu que o escocês de queixo quadrado o ultrapassasse. O português consegiu voltar e recuperou a liderança, mas depois saiu da pista novamente!

O circuito de Hockenheim assistiu a primeira vitória do até então inexpressivo Olivier Panis. Pedro Lamy foi o segundo e Coulthard abandonou. Vincenzo Sospiri conseguiu seu segundo pódio consecutivo, graças a um novo motor e a um controle de tração, com o qual correu em ambas as etapas. Para sua infelicidade, o dispositivo foi banido logo na corrida seguinte e seu desempeho voltou ao "normal".

Em Nürburgring, Panis largou na pole e conquistou sua segunda vitória com tranquilidade. Porém, Lamy foi o piloto que mais chamou a atenção: rodou logo no início da prova, caiu de 3º para 9º, jogou Paul Stewart para fora da pista, saiu ultrapassando todo mundo que via pela frente, fez a volta mas rápida da prova, alcançou a segunda colocação e... rodou outra vez! Mesmo assim, terminou em 4º.

Em Spa, Panis largou novamente na pole e manteve a liderança pelas primeras voltas. Lamy começou a pressiona-lo, perdeu o controle do carro, rodou (pra variar) e saiu da pista. Quando voltou, encontrou o Nordic de Alessandro Zampedri. Depois da corrida, troca de acusações: Zampedri (e a FISA) não gostaram nada da manobra do porutguês, que em contrartida acusava Panis de ter antecipado uma freada. O piloto da DAMS ganhou pela terceira vez consecutiva. De Ferran e Coulthard o acompanharam no pódio Lamy, apesar dos pesares, ainda terminou em 4º.

A penúltima prova seria disputada em Magny-Cours. E o que se viu foi um domínio dos donos da casa: Emmanuel Collard fez a pole e Franck Lagorce venceu fazendo dobradinha com Jean-Christophe Boullion. Porém, o francês que disputava o título, Panis, teve problemas com a porca de uma roda e não marcou pontos. O 3º lugar de Lamy o manteve na briga pelo campeonato.

A última etapa da temporada de 1993 também seria disputada na França, no circuito de Nogaro. Panis era o líder do campeonato, com 32 pontos e 3 vitórias. Lamy (31) e Coulthard (25) ainda podiam estragar a festa francesa. E isso quase aconteceu, quando Panis foi jogado pra fora da pista por Vincenzo Sospiri e foi obrigado a abandonar a prova.

Depois do acidente, o tempo fechou! Panis foi até os boxes e partiu pra cima de Sospiri. A turma-do-deixa-disso tentou apartar, mas o francês estava furioso. E não era pra menos: Coulthard enfrentava problemas mecânicos e estava longe do título, mas Lamy ainda poderia ser campeão. Então, para a felicidade de Panis (e de Sospiri também), Jean-Paul Driot (o chefe da DAMS) trouxe a boa notíca: Lamy entrou nos boxes, com uma suspensão quebrada! Panis podia comemorar!

Classificação final:
1 - Olivier Panis - França - DAMS- 32 pontos, 3 vitórias
2 - Pedro Lamy - Portugal - Crypton - 31 pontos, 1 vitória
3 - David Coulthard - Reino Unido - Pacific - 25 pontos, 1 vitória
4 - Franck Lagorce - França - DAMS- 21 pontos, 2 vitórias
5 - Gil de Ferran - Brasil - Paul Stewart - 21 pontos, 1 vitória
6 - Olivier Beretta - França - Forti Corse - 20 pontos, 1 vitória

Curiosidades:
* De todos, Coulthard foi o que teve mais sucesso na carreira. Na Fórmula-1, correu na Williams, na McLaren e na Red Bull, conseguindo 13 vitórias.
* Panis foi protagonista de uma das maiores zebras da história da Fórmula-1, quando venceu o GP de Mônaco de 1996, pilotando uma Ligier. Correu tamém pela Prost e pela BAR.
* Pedro Lamy fez 32 corridas entre 1993 e 1996, pilotando por Lotus e Minardi.
* De Ferran nunca correu na Fórmula-1, mas fez sucesso nos EUA, sagrando-se bicampeão da CART (2000 e 2001) e vencendo as 500 Milhas de Indianápolis d 2003.
* Foi o segundo título da equipe DAMS, o primeiro tim bicampeão da Fórmula-3000.
* Olivier Panis foi campeão com 32 pontos. O pior desempenho entre os campeões da categoria.
* A diferença entre Panis e Lamy foi uma das mais apertadas da história: apenas um ponto. Diferença menor só se viu em 1989, quando Alesi e Comas terminaram com a mesma pontuação.

7 comentários:

Roberto disse...

Que texto saudosista e maravilhoso
Fez me recordar desta temporada que acompanhava pelas revistas .
Até hoje procuro os reviews as corridas via torrent e nada .
Com a sua licença pediria pra publicar esta matéria no fórum downforce.com.br
[]´s

Verde disse...

Temporadaça. A categoria passava por maus bocados em termos financeiros e políticos, mas compensava tudo na pista. A FIA estava morrendo de vontade de matar a categoria, tanto que em julho daquele ano, anunciou um ridículo calendário de apenas seis corridas para 1994! Os chefes de equipe reclamaram e restou à federação colocar mais duas etapas no calendário da categoria.

Poucas equipes tinham dinheiro para fazer a temporada completa, como eram os casos da Forti, da Crypton, da Pacific, da Apomatox e da DAMS. A Crypton, por sinal, era o carro mais coberto de decalques do grid, sendo patrocinado até pela Nintendo! No outro extremo do grid, tínhamos a Il Barone Rampante decaindo devido a um desinteresse da família Cipriani e equipes de aluguel como Apache, European Technique, AC&S e East Essex.

Pedro Lamy foi o piloto mais rápido daquele ano, mas também demonstrou bastante imaturidade e falta de bom senso. O acidente de Spa, no qual soltou cobras e lagartos sobre Panis e Zampedri, foi bem criticado pela mídia. No fim, ganhou o calmo e experiente Olivier Panis.

Por fim, destaco a participação de Constantino Junior, o dono da Gol. Com uma boa grana da concessionária lusa C. Santos, começou o ano na bem-estruturada PTM, mas a equipe desistiu da F3000e restou a ele ir para a European Technique.

Recomendo uma olhada no vídeo de um acidente daquela temporada: http://bandverde.wordpress.com/2010/06/16/cineverde-bagunca-na-formula-3000-em-hockenheim/

E continue falando sobre a F3000. Recomendo também falar sobre as primeiras temporadas, as melhores. E, por que não, sobre alguns pilotos que competiram por lá e não conseguiram subir para a F1.

Sidney Andreato disse...

Roberto
Fique a vontade para reproduzir o texto.

Verde
Valeu pelas curiosidades

Ivam Campos disse...

Muito bom o texto!

Valeu

Otavio Ricardo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Otavio Ricardo disse...

Muito legal esse texto!

Moreno sempre foi um de meus pilotos favoritos

Givanildo disse...

Barrichello sempre foi uma turtle mesmo hein?